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Residências Artísticas

O Avesso do Vestir

Museu Bispo do Rosario Arte Contemporânea (Mbrac), Rio de Janeiro, 2023/2024

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A residência artística O Avesso do Vestir, realizada entre 2023 e 2024 no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, investigou a materialidade do tecido e da trama como elementos que carregam camadas de memória, inscrição e esquecimento.

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O projeto partiu de um diálogo entre a obra de Arthur Bispo do Rosário e a pesquisa contínua de Katia Wille sobre processos de inscrição e apagamento, explorando a tensão entre o que é tecido e o que é resíduo, não apenas no contexto da indústria da moda, mas também na própria obra de Bispo e na condição de seres humanos que se encontram à margem, relegados ao descarte.

​Estruturada em duas fases complementares, a residência uniu investigação de arquivo e experimentação prática em ateliê.


A primeira etapa consistiu em uma imersão no acervo do museu, resultando em um estudo aprofundado dos sistemas de organização e catalogação desenvolvidos por Bispo do Rosário. A fixação do artista na reordenação do mundo por meio de restos de tecidos e objetos do cotidiano revelou-se um ponto de fricção fundamental para a pesquisa de Wille, que se interessou especialmente por sua lógica de arquivamento e reconstrução de identidade.

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O uso do bordado como escrita, a sobreposição de signos e a criação de inventários ficcionais serviram como pontos de contato conceituais para um processo de trabalho no qual a fibra e a costura tornavam-se vestígios de permanência.

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A segunda fase da residência foi dedicada à prática coletiva e à experimentação de novas materialidades. Wille coordenou uma série de encontros com artistas residentes do museu e a comunidade local, conduzindo oficinas em que sobras de tecido doadas pela indústria da moda eram reinterpretadas. Nessas trocas, as técnicas tradicionais de costura e bordado foram tensionadas para além de sua função utilitária, tornando-se agentes de um discurso expandido sobre o corpo, o tempo e o fazer artístico.

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O gesto manual, repetitivo e intuitivo, revelou-se tanto como um ato de insurgência quanto um método de reconstrução subjetiva.

Residencia em Si

Fundacao Obras, Evoramonte, Portugal, 2021

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Residência em Si surge como um desdobramento das investigações de Katia Wille sobre a tensão entre matéria e deslocamento, um conceito que reverbera tanto na fatura de sua obra quanto em seu percurso biográfico. Proposto pela artista e chancelado pela Obras Foundation, o projeto se materializou entre maio e agosto de 2021, atravessando as paisagens de Évoramonte, Portugal, e se expandindo para Mallorca, Espanha, e Arnhem, Holanda.

Uma travessia realizada sob as restrições da pandemia, onde cada deslocamento foi marcado por desafios e barreiras, ecoando no cerne da própria pesquisa.

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Essa transfiguração da matéria reflete uma certa instabilidade da forma, questionando a efemeridade da própria existência.

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"Residência em Si" afirma-se, assim, como um projeto que instaura a investigação de Katia Wille sobre a tensão entre suporte e paisagem.

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A artista nos propõe a repensar conceitos como a impermanência e a mobilidade da matéria, criando interseções entre pintura, instalação e performance. O deslocamento da artista não é apenas geográfico, mas existencial, numa prática que se desdobra em camadas de presença e dissolução, de construção e efemeridade.

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